segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Maktub

“Maktub”
Te beijo através do seu capacete e entro no carro.
“Tinha que acontecer”
Fecho os olhos e respiro fundo. Te ver indo em direção contrária ainda me faz querer correr até você.
“Maktub. Tinha que acontecer”, eu repito.
A voz rouca denuncia mais uma noite de conversa que resultou novamente na plena confirmação de que sou totalmente sua.
Dou partida no carro.
“Como pude ir embora?”
Seu cheiro impregnado na minha pele me inebria e fascina.
Como pude pensar em viver sem isso?
A dor me atinge como um soco ao me lembrar do passado que ainda nos assombra.
“Maktub”,
Eu insisto tentando impedir que o medo de te perder me apavore mais uma vez.
Olho no retrovisor e meus olhos refletem o amor que a cada dia cresce e se fortalece mais.
Sorrio ao senti-lo em cada parte da minha existência e constato
“Tinha que acontecer”.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Rebelião

A saudade me atravessa e não tem pressa
Ela ocupou o seu lugar na casa, na cama e no banho
A minha escova tá solitária
Não tem a sua pra conversar
E o violão tá cabisbaixo
Sem público pra se apresentar
O guarda roupa anda triste
Sem suas roupas pra abrigar
A cama todo dia reclama
Me pergunta onde você está
Mas o travesseiro tá em silêncio
Se recusa a dialogar
O colchão da sala se rebelou
Brigou e se negou a tombar
O sofá tá tão ranzinza
Que nem dá pra sentar
As galinhas da mesinha
Cacarejam em seu favor
Dizem querer morar na cozinha dos seus sonhos
E ter a vida que eu não consigo dar
A tostadeira, depressiva, nunca mais foi utilizada
Ameaça suicídio, caso você não volte pra casa
A TV e o video game se colocaram pra adoção
Não querem morar juntos após tamanha desilusão
O fogão tá raivoso, ameaçando me queimar
Por eu ter ido embora sem nem pra trás olhar
A geladeira anda rindo da minha estupidez
Abro e fecho a porta sem comer nenhuma vez
O microondas tá se drogando, cansou da realidade
Vive dopado de calmante e evita a ver a verdade
O chuveiro tá estressado, só vive de cabeça quente
Fala que cansou do meu choro que é sempre persistente
E nesssa rebelião de móveis que vivo
Sinto falta da tua euforia
Daquela alegria que só sentia com você
O amor tá vivo e acreditando
Que em algum dia você volta e vem me ver.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A dor da liberdade

A liberdade tem um preço. Sempre tem.
E comigo não foi diferente.
Você era o meu maior sonho,
Meu começo, meio e fim.
Mas com o tempo, eu vi que, com você,
Eu só encontraria fim.
O começo? Conturbado.
O meio? Machucado.
E no fim, enquanto você esbravejava
Aquelas palavras tão duras,
Eu tive a certeza de que partir era a melhor opção.
Eu, que amei intensamente,
Imensamente
E irremediavelmente,
Me vi afogando com você.
Por maior, forte e esperançoso
Que fosse aquele amor,
Eu amo a mim primeiro.
Por amor a mim,
Por amor a ti,
Escolhi partir.
Percebi que não importava
Quantas vezes eu tentasse
Ou como o fizesse,
É impossível reparar o irreparável.
Semanas após a despedida,
O peito ardia, sentia na alma
A saudade, o apego
Que insistia em alimentar a minha insônia.
Sonhei com você por noites a fio,
Chorei no silêncio da noite
E traguei a nicotina
Na tentativa de preencher
O vazio que você deixou.
Foi naquela Terça-Feira
Com o coração já em frangalhos
Que o único fio que me ligava a você
Foi rompido.
Ali, no auge do meu desespero
Por ver você dando a outra
Aquilo que um dia havia sido tão meu,
Eu senti a dor da liberdade.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A força da alma

A vida era bagunçada
Eu vivia na eterna jogada
De desejar e conquistar
Aquilo que o corpo pedia
Mas a alma relutava em aceitar.

O coração era machucado
Pedia por um pouco de paz
Mas a carne era mais forte
E o coração tornava a calar.

Até que um dia conheci
Quem iria imaginar?
Aquela que me domou o corpo
E o coração conseguiu conquistar.

A alma ficou encantada
Se alegrou e começou a dançar
Ganhou mais vida e liberdade
Quando finalmente aprendeu a amar.

O coração, apaixonado,
Se pôs a compor
Os mais lindos versos
Para o seu primeiro amor.

O corpo, enfim domado,
Aprendeu a mais bela lição
Que paciência é uma virtude
E que acima de tudo
Está a compreensão.

Os três então, finalmente unidos
Buscam apenas um fator
Amar Gabriella com todo carinho,
Respeitá-la e honrá-la
Na alegria e na dor.

Pois sabem que naquele sorriso tão belo
No olhar mais sincero
E no beijo mais doce
Encontraram a resposta:

Que a força da alma é o amor.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Posso?

Posso te abraçar?
Me aproximar pelas suas costas, passar meus braços ao seu redor e roçar de leve a sua nuca...
Posso te tocar?
Passar as pontas dos dedos suavemente pela sua pele, sentir seu cheiro e ver você arrepiar com o roçar dos meus lábios no seu pescoço, suave, devagar...
Posso te beijar?
Tocar seus lábios com os meus, prendê-los, mordê-los, provar o gosto da sua boca, enroscar minha língua na tua, sentir teu corpo colado ao meu...
Posso te ver?
Descer minhas mãos pelo seu corpo, livrar-te do tecido que a impede de ser você...
Posso te sentir?
Penetrar no calor do teu corpo, sentir seu prazer jorrar através do líquido quente...
Posso te amar?
Envolver seu corpo extasiado com todo o amor que guardei em meu peito somente pra você...
Posso ficar?
Te fazer dormir no mais profundo sono para que logo pela manhã você possa acordar e ter a certeza de que você me basta e mais ninguém.



Minha paz

Você chegou de mansinho, sem fazer barulho ou anunciar
Conheceu minha casa arrumada, minha roupa mal passada e minha mente cheia de nó
Se encantou com o meu cabelo, o meu perfume e a minha voz
Odiou todo o meu drama, negou a minha cama e se assustou com o meu tesão

Me ensinou a beber breja, a entender música sertaneja e a gostar de dormir no chão
Me instigou a aprender, me inspirou a escrever e a mudar o mundo
Gostou do meu cabelo bagunçado, do abraço apertado e das minhas gírias de vó
Brigou pela minha desatenção, pediu compreensão e começou a acreditar

Soube do meu pior segredo, do meu maior medo e me viu chorar
Prometeu me proteger, me levou pra comer e não me deixou só
Derrubou o meu sofá, me chamou pra jantar e me amou em cada segundo
Me tirou para dançar, me ouviu cantar e ganhou meu coração

Me enlouqueceu no sexo, me fez entender o nexo entre corpo e emoção
Me despiu das minhas verdades, das certezas e fragilidades
Provou cada parte do meu corpo, tomou pra si e me fez arrepiar
Despertou meu sorriso mais bobo, a alegria mais sincera e se tornou a minha paz.