quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Rebelião

A saudade me atravessa e não tem pressa
Ela ocupou o seu lugar na casa, na cama e no banho
A minha escova tá solitária
Não tem a sua pra conversar
E o violão tá cabisbaixo
Sem público pra se apresentar
O guarda roupa anda triste
Sem suas roupas pra abrigar
A cama todo dia reclama
Me pergunta onde você está
Mas o travesseiro tá em silêncio
Se recusa a dialogar
O colchão da sala se rebelou
Brigou e se negou a tombar
O sofá tá tão ranzinza
Que nem dá pra sentar
As galinhas da mesinha
Cacarejam em seu favor
Dizem querer morar na cozinha dos seus sonhos
E ter a vida que eu não consigo dar
A tostadeira, depressiva, nunca mais foi utilizada
Ameaça suicídio, caso você não volte pra casa
A TV e o video game se colocaram pra adoção
Não querem morar juntos após tamanha desilusão
O fogão tá raivoso, ameaçando me queimar
Por eu ter ido embora sem nem pra trás olhar
A geladeira anda rindo da minha estupidez
Abro e fecho a porta sem comer nenhuma vez
O microondas tá se drogando, cansou da realidade
Vive dopado de calmante e evita a ver a verdade
O chuveiro tá estressado, só vive de cabeça quente
Fala que cansou do meu choro que é sempre persistente
E nesssa rebelião de móveis que vivo
Sinto falta da tua euforia
Daquela alegria que só sentia com você
O amor tá vivo e acreditando
Que em algum dia você volta e vem me ver.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A dor da liberdade

A liberdade tem um preço. Sempre tem.
E comigo não foi diferente.
Você era o meu maior sonho,
Meu começo, meio e fim.
Mas com o tempo, eu vi que, com você,
Eu só encontraria fim.
O começo? Conturbado.
O meio? Machucado.
E no fim, enquanto você esbravejava
Aquelas palavras tão duras,
Eu tive a certeza de que partir era a melhor opção.
Eu, que amei intensamente,
Imensamente
E irremediavelmente,
Me vi afogando com você.
Por maior, forte e esperançoso
Que fosse aquele amor,
Eu amo a mim primeiro.
Por amor a mim,
Por amor a ti,
Escolhi partir.
Percebi que não importava
Quantas vezes eu tentasse
Ou como o fizesse,
É impossível reparar o irreparável.
Semanas após a despedida,
O peito ardia, sentia na alma
A saudade, o apego
Que insistia em alimentar a minha insônia.
Sonhei com você por noites a fio,
Chorei no silêncio da noite
E traguei a nicotina
Na tentativa de preencher
O vazio que você deixou.
Foi naquela Terça-Feira
Com o coração já em frangalhos
Que o único fio que me ligava a você
Foi rompido.
Ali, no auge do meu desespero
Por ver você dando a outra
Aquilo que um dia havia sido tão meu,
Eu senti a dor da liberdade.