Era uma vez
Uma festa de aniversário
Onde dois olhares se cruzaram
E ali fizeram morada.
Na calada da noite,
Dois corpos se entrelaçaram,
Duas bocas se encontraram
E assim se fez a conexão.
Mas a vida tão injusta
Somada à imaturidade de uma
Machucaram aquela Pequena.
Ela que com tanta intensidade amou,
Na mesma intensidade se machucou
E houve o rompimento.
O tempo passou,
A Pequena cresceu,
Se fortaleceu,
Descobriu, sentiu e viveu
Um novo amor.
Mas o destino,
Cheio de surpresas e falcatruas,
Uniu aqueles corpos novamente
Trazendo à tona as verdades
Há tanto tempo negadas.
Aquele amor antigo e intenso
Mas também traiçoeiro
Se entregou perante ela,
Com o peito aberto e rasgado,
Confessou os sentimentos passados
E os fantasmas que a assombravam.
Revelou ser sua amante de anos
Mas que lutou contra o amor ao longo
do tempo
Pra não desmascarar suas dores e
cicatrizes,
Pois amava a Pequena de todo o
coração
Mas sabia que para os erros passados não
havia mais perdão.
A Pequena, agora tão forte e
imbatível,
Outra pessoa realmente,
Ouviu os lamentos e então afirmou:
“Talvez, nosso tempo já passou”.
A amante então partiu
Com o peito em chamas e sentindo
aquela dor de anos
Com uma intensidade nunca antes
vivida.
Agora, caberia a ela seguir em frente
Em um novo lugar, com novas pessoas e
possibilidades.
Mas ela sabia, que naquele doloroso
dia,
Encontrara sua paz.
Teve a confirmação que já há muito
suspeitava
Que seu 100%, aquela sensação mais
profunda de total entrega,
Só com a Pequena sentia.
O tempo passou e os caminhos
continuavam a se cruzar
O contato se tornou frequente,
As risadas e sorrisos se
multiplicaram,
A esperança enchia o peito da amante
E isso a Pequena parecia também
transbordar.
Mas os fantasmas do passado voltaram
E trouxeram consigo o medo e temor
De que um dia, a amante novamente
partiria,
Restando à Pequena apenas dor e rancor.
Então, pra se proteger de tamanha
tristeza e desilusão,
Ela abraçou seus fantasmas,
Vestiu sua armadura
E honrou sua razão
“Essa é quem eu sou
A Pequena já não existe mais
Que guarde pra si todo esse amor
Pois no meu peito não habita mais.
A Pequena que você ama se foi,
Aceite então tamanho fato
Pois perante deste grande ato
Entenda que aquela já não sou.
E saiba que nunca mudarei
Não vou despir minha armadura jamais
Pois no passado muito me machuquei
E você sumiu, não te vi mais.
Agora que então retornas
Não queira acreditar
Que depois de tantos erros
Em ti iria novamente acreditar.
Só o carinho restou
E assim irei viver
Que viva também com teu amor
Até o dia em que ele morrer.”
A amante então naquele dia soube
Que não tinha como na armadura
penetrar
E sentindo o peso de esperanças
mortas
Só pode então pronunciar:
Que nunca morra o que há de viver
E que o fim chegue em seu tempo certo
Pois se há nessa história algum
destino
Que se evidencie antes do desafeto.