quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Era uma vez


Era uma vez
Uma festa de aniversário
Onde dois olhares se cruzaram
E ali fizeram morada.

Na calada da noite,
Dois corpos se entrelaçaram,
Duas bocas se encontraram
E assim se fez a conexão.

Mas a vida tão injusta
Somada à imaturidade de uma
Machucaram aquela Pequena.
Ela que com tanta intensidade amou,
Na mesma intensidade se machucou
E houve o rompimento.

O tempo passou,
A Pequena cresceu,
Se fortaleceu,
Descobriu, sentiu e viveu
Um novo amor.

Mas o destino,
Cheio de surpresas e falcatruas,
Uniu aqueles corpos novamente
Trazendo à tona as verdades
Há tanto tempo negadas.

Aquele amor antigo e intenso
Mas também traiçoeiro
Se entregou perante ela,
Com o peito aberto e rasgado,
Confessou os sentimentos passados
E os fantasmas que a assombravam.

Revelou ser sua amante de anos
Mas que lutou contra o amor ao longo do tempo
Pra não desmascarar suas dores e cicatrizes,
Pois amava a Pequena de todo o coração
Mas sabia que para os erros passados não havia mais perdão.

A Pequena, agora tão forte e imbatível,
Outra pessoa realmente,
Ouviu os lamentos e então afirmou:
“Talvez, nosso tempo já passou”.
A amante então partiu
Com o peito em chamas e sentindo aquela dor de anos
Com uma intensidade nunca antes vivida.

Agora, caberia a ela seguir em frente
Em um novo lugar, com novas pessoas e possibilidades.
Mas ela sabia, que naquele doloroso dia,
Encontrara sua paz.

Teve a confirmação que já há muito suspeitava
Que seu 100%, aquela sensação mais profunda de total entrega,
Só com a Pequena sentia.

O tempo passou e os caminhos continuavam a se cruzar
O contato se tornou frequente,
As risadas e sorrisos se multiplicaram,
A esperança enchia o peito da amante
E isso a Pequena parecia também transbordar.

Mas os fantasmas do passado voltaram
E trouxeram consigo o medo e temor
De que um dia, a amante novamente partiria,
Restando à Pequena apenas dor e rancor.

Então, pra se proteger de tamanha tristeza e desilusão,
Ela abraçou seus fantasmas,
Vestiu sua armadura
E honrou sua razão
“Essa é quem eu sou
A Pequena já não existe mais
Que guarde pra si todo esse amor
Pois no meu peito não habita mais.

A Pequena que você ama se foi,
Aceite então tamanho fato
Pois perante deste grande ato
Entenda que aquela já não sou.
E saiba que nunca mudarei
Não vou despir minha armadura jamais
Pois no passado muito me machuquei
E você sumiu, não te vi mais.

Agora que então retornas
Não queira acreditar
Que depois de tantos erros
Em ti iria novamente acreditar.
Só o carinho restou
E assim irei viver
Que viva também com teu amor
Até o dia em que ele morrer.”

A amante então naquele dia soube
Que não tinha como na armadura penetrar
E sentindo o peso de esperanças mortas
Só pode então pronunciar:

Que nunca morra o que há de viver
E que o fim chegue em seu tempo certo
Pois se há nessa história algum destino
Que se evidencie antes do desafeto.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Monstros

"Sinto um nó na minha garganta
A voz treme ao sair
Debaixo da cama os monstros me impedem de dormir
Me sinto só desde criança
Mesmo com gente ao meu redor
Sempre lutei por liberdade mas ser livre me fez só

Eu tenho fogo no olhar
De pés descalços vou à caça
Pra encontrar o meu lugar
Eu abraço a escuridão que sempre se fez o meu lar
Agora eu corro com meus lobos
Danço ao redor do fogo
Bem nos olhos vejo os monstros
Que insistem em me encarar
Sempre me acharam louco
Por querer ser mais um pouco
Sei que eu tenho os meus monstros
Mas continuo a caminhar"

- Jão