Quando não souber o que dizer, cante.
Sou reencontro
Sou sombras, escuridão
Sou luz, um clarão
É nesse despertar em meio a um caos tão forte e necessário
Que percebo minha própria essência
Sou tempestade, furacão
Tsunami, ventania
Sou também a calma da maresia
O pôr do Sol na grama verde
Sou defeito, teimosia
Luxúria e poesia
Oscilo entre o belo e tenebroso
Também entre a raiva e libertação
Eu sou exatamente quem devo ser
Um livro de capa dura e folhas rabiscadas
E tantas páginas em branco
Nunca saberão o pior e o melhor de mim
Desses monstros só eu sei
Chamo-os a tarde pra um café
Cheio de conversas francas e duvidosas
Sou eu o melhor de mim?
Ou apenas os ruídos de um rádio fora de sintonia?
As inseguranças sentam a mesa
Despem suas máscaras, se revelam
As observo no fundo dos olhos
Vejo meus medos, traumas
Memórias longas e remotas
Até que se unem em uma só figura
A de uma criança assustada e perdida
Diz estar longe de casa, sozinha
Ela chora baixinho, um pedido de socorro
Eu a olho com carinho e pego no colo
“Bem-vinda de volta pra casa. Desculpe a demora”
As lágrimas escorrem pelo meu rosto
Ela se aconchega no meu peito e agradece
Finalmente dorme, descansa
E eu agradeço ao Universo o presente de uma nova chance
De reescrever minha história
De começar uma nova vida.