Vamos fingir que é domingo, Isabel. Vamos fingir que a gente acabou bem, que tivemos de fato um fim. Vamos fingir que eu não volto, e fingir que você não me quer também. Vamos fingir serenidade, maturidade. Vamos fugir da realidade. E quem sabe, Isabel, assim eu possa me sentar outra vez sem o medo de que um pensamento desvairado seu me ocorra a mente e me faça cair na contra-mão.
Vamos fingir que a dor não existe, Isabel. Ou você. Ou eu. E que seu nome é mudo e apenas o chá de camomila lhe pode escrever através das manchas que ficaram na nossa mesa da cozinha. Vamos fingir, por favor, pois estou cansado de fugir. Eu desisto desse contrato social de tentar ser forte e enfrentar, ou do próprio contra senso de correr. Não quero nada disso, não me encaixei. Você não se encaixou. Eu dei a mão pra esse mundo inteiro e me querem o dorso, o pescoço e tudo o que eu nunca imaginei oferecer.
Então vamos fingir que é domingo, que eu sentei na minha mesa, escrevi um texto sobre outra mulher, tomei um café forte e passei o dia bem. Vamos fingir que seu corpo nunca tocou o meu, que sua mão nunca entrelaçou a minha. Vamos fingir, pelo amor de quem for. O problema não é não dormir. Eu tenho sim dormido a noite. O problema é estar o resto do dia acordado e ter tudo o que vivemos sendo lembrado, traço por traço, desenhado na frente dos meus olhos acordados, toda vez que alguém sem querer me lembra de você.
Isabel, vamos fingir que o seu cigarro apagou junto com o nosso nunca-amor (quase-amor?). Vamos fingir que você não fuma mais, e que eu não procuro em toda a fumaça de bar o seu batom escuro.
Isabel, hoje é domingo.
(João Doederlein)
domingo, 19 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Quantas vidas você tem?
"Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois
Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais
Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer
Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga: quantas vidas você tem?"
- Paulinho Moska
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois
Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais
Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer
Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga: quantas vidas você tem?"
- Paulinho Moska
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Maktub
“Maktub”
Te beijo através do seu capacete e
entro no carro.
“Tinha que acontecer”
Fecho os olhos e respiro fundo. Te
ver indo em direção contrária ainda me faz querer correr até você.
“Maktub. Tinha que acontecer”, eu
repito.
A voz rouca denuncia mais uma noite
de conversa que resultou novamente na plena confirmação de que sou totalmente
sua.
Dou partida no carro.
“Como pude ir embora?”
Seu cheiro impregnado na minha pele
me inebria e fascina.
Como pude pensar em viver sem isso?
A dor me atinge como um soco ao me
lembrar do passado que ainda nos assombra.
“Maktub”,
Eu insisto tentando impedir que o
medo de te perder me apavore mais uma vez.
Olho no retrovisor e meus olhos
refletem o amor que a cada dia cresce e se fortalece mais.
Sorrio ao senti-lo em cada parte da
minha existência e constato
“Tinha que acontecer”.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Rebelião
A saudade me atravessa e não tem
pressa
Ela ocupou o seu lugar na casa, na
cama e no banho
A minha escova tá solitária
Não tem a sua pra conversar
E o violão tá cabisbaixo
Sem público pra se apresentar
O guarda roupa anda triste
Sem suas roupas pra abrigar
A cama todo dia reclama
Me pergunta onde você está
Mas o travesseiro tá em silêncio
Se recusa a dialogar
O colchão da sala se rebelou
Brigou e se negou a tombar
O sofá tá tão ranzinza
Que nem dá pra sentar
As galinhas da mesinha
Cacarejam em seu favor
Dizem querer morar na cozinha dos
seus sonhos
E ter a vida que eu não consigo dar
A tostadeira, depressiva, nunca mais
foi utilizada
Ameaça suicídio, caso você não volte
pra casa
A TV e o video game se colocaram pra
adoção
Não querem morar juntos após tamanha
desilusão
O fogão tá raivoso, ameaçando me
queimar
Por eu ter ido embora sem nem pra
trás olhar
A geladeira anda rindo da minha
estupidez
Abro e fecho a porta sem comer
nenhuma vez
O microondas tá se drogando, cansou
da realidade
Vive dopado de calmante e evita a ver
a verdade
O chuveiro tá estressado, só vive de
cabeça quente
Fala que cansou do meu choro que é
sempre persistente
E nesssa rebelião de móveis que vivo
Sinto falta da tua euforia
Daquela alegria que só sentia com
você
O amor tá vivo e acreditando
Que em algum dia você volta e vem me
ver.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
A dor da liberdade
A liberdade tem um preço. Sempre tem.
E comigo não foi diferente.
Você era o meu maior sonho,
Meu começo, meio e fim.
Mas com o tempo, eu vi que, com você,
Eu só encontraria fim.
O começo? Conturbado.
O meio? Machucado.
E no fim, enquanto você esbravejava
Aquelas palavras tão duras,
Eu tive a certeza de que partir era a
melhor opção.
Eu, que amei intensamente,
Imensamente
E irremediavelmente,
Me vi afogando com você.
Por maior, forte e esperançoso
Que fosse aquele amor,
Eu amo a mim primeiro.
Por amor a mim,
Por amor a ti,
Escolhi partir.
Percebi que não importava
Quantas vezes eu tentasse
Ou como o fizesse,
É impossível reparar o irreparável.
Semanas após a despedida,
O peito ardia, sentia na alma
A saudade, o apego
Que insistia em alimentar a minha
insônia.
Sonhei com você por noites a fio,
Chorei no silêncio da noite
E traguei a nicotina
Na tentativa de preencher
O vazio que você deixou.
Foi naquela Terça-Feira
Com o coração já em frangalhos
Que o único fio que me ligava a você
Foi rompido.
Ali, no auge do meu desespero
Por ver você dando a outra
Aquilo que um dia havia sido tão meu,
Eu senti a dor da liberdade.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
A força da alma
A vida era bagunçada
Eu vivia na eterna
jogada
De desejar e conquistar
Aquilo que o corpo pedia
Mas a alma relutava em
aceitar.
O coração era machucado
Pedia por um pouco de
paz
Mas a carne era mais
forte
E o coração tornava a
calar.
Até que um dia conheci
Quem iria imaginar?
Aquela que me domou o
corpo
E o coração conseguiu conquistar.
A alma ficou encantada
Se alegrou e começou a
dançar
Ganhou mais vida e
liberdade
Quando finalmente
aprendeu a amar.
O coração, apaixonado,
Se pôs a compor
Os mais lindos versos
Para o seu primeiro
amor.
O corpo, enfim domado,
Aprendeu a mais bela
lição
Que paciência é uma
virtude
E que acima de tudo
Está a compreensão.
Os três então,
finalmente unidos
Buscam apenas um fator
Amar Gabriella com todo
carinho,
Respeitá-la e honrá-la
Na alegria e na dor.
Pois sabem que naquele
sorriso tão belo
No olhar mais sincero
E no beijo mais doce
Encontraram a resposta:
Que a força da alma é o
amor.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Posso?
Posso te abraçar?
Me aproximar pelas suas costas, passar
meus braços ao seu redor e roçar de leve a sua nuca...
Posso te tocar?
Passar as pontas dos dedos suavemente
pela sua pele, sentir seu cheiro e ver você arrepiar com o roçar dos meus
lábios no seu pescoço, suave, devagar...
Posso te beijar?
Tocar seus lábios com os meus,
prendê-los, mordê-los, provar o gosto da sua boca, enroscar minha língua na
tua, sentir teu corpo colado ao meu...
Posso te ver?
Descer minhas mãos pelo seu corpo,
livrar-te do tecido que a impede de ser você...
Posso te sentir?
Penetrar no calor do teu corpo, sentir
seu prazer jorrar através do líquido quente...
Posso te amar?
Envolver seu corpo extasiado com todo o
amor que guardei em meu peito somente pra você...
Posso ficar?
Te fazer dormir no mais profundo sono
para que logo pela manhã você possa acordar e ter a certeza de que você me
basta e mais ninguém.
Assinar:
Postagens (Atom)