quinta-feira, 6 de março de 2014

Até quando?

Você não nota, mas te observo por cima do meu copo cheio de um destilado qualquer. 
Minha expressão é serena, mas meus olhos não escondem os pensamentos torpes que invadem minha mente. 
Um sorriso sarcástico surge em meus lábios ao me lembrar por quanto tempo lutei contra tudo relacionado a você.
 Os dias turbulentos e as noites em que passei em claro, lutando pra não sonhar mais uma vez com você. 
Nada disso importa agora. Não há mais relutância. 
Termino o meu destilado. Seu olhar cruza com o meu e vejo nos teus olhos a mesma sensação de impotência que preenche meu peito. 
Eu desvio o olhar e coloco meu copo sobre a mesa. É hora de ir. Vou em direção a porta e sinto seus olhos me acompanharem. 
Se você soubesse o quanto é difícil não ir em direção à eles... Respiro fundo com a esperança de que o ar leve embora um pouco daquele peso que carrego sobre os ombros. 
A rua está deserta, o que me deixa confortável para usufruir do meu hábito de falar sozinha. 
"Só queria poder te mostrar tudo o que sinto." 
Estou cansada de me limitar a palavras. Elas não traduzem a intensidade com que meus lábios insistem em te tocar. 
Ao atravessar a porta de casa, me encontro naquele escuro tão cheio dos meus mais profundos momentos, aquele que já me ouviu tantas vezes sussurrar: 
"Até quando vou querer que você faça o que bem quiser de mim?"

Nenhum comentário:

Postar um comentário