Você não nota, mas te observo por cima do meu copo cheio de um destilado qualquer.
Minha expressão é serena, mas meus olhos não escondem os pensamentos torpes que invadem minha mente.
Um sorriso sarcástico surge em meus lábios ao me lembrar por quanto tempo lutei contra tudo relacionado a você.
Os dias turbulentos e as noites em que passei em claro, lutando pra não sonhar mais uma vez com você.
Nada disso importa agora. Não há mais relutância.
Termino o meu destilado. Seu olhar cruza com o meu e vejo nos teus olhos a mesma sensação de impotência que preenche meu peito.
Eu desvio o olhar e coloco meu copo sobre a mesa. É hora de ir. Vou em direção a porta e sinto seus olhos me acompanharem.
Se você soubesse o quanto é difícil não ir em direção à eles... Respiro fundo com a esperança de que o ar leve embora um pouco daquele peso que carrego sobre os ombros.
A rua está deserta, o que me deixa confortável para usufruir do meu hábito de falar sozinha.
"Só queria poder te mostrar tudo o que sinto."
Estou cansada de me limitar a palavras. Elas não traduzem a intensidade com que meus lábios insistem em te tocar.
Ao atravessar a porta de casa, me encontro naquele escuro tão cheio dos meus mais profundos momentos, aquele que já me ouviu tantas vezes sussurrar:
"Até quando vou querer que você faça o que bem quiser de mim?"
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