terça-feira, 28 de novembro de 2017

Solidão

Eu sou poço fundo de tristeza
Todas se foram, uma a uma
Notei a constância do vazio
No fim, sou apenas eu.

Eu olho o orizonte e te procuro
Tão longe, tão distante
Olho para o Céu e peço, com todas as forças
"Não me deixe viver a vida sem o brilho dos olhos dela"

A dor preenche meu ser
O que sou?
Quem sou?
A vida já perde a clareza.

Por que viver assim?
Qual o sentido do sentir?
Existe um objetivo nisso tudo?
Ou será a vida apenas um sopro?

Eu não quero viver.
Estou cansada desses sentimentos,
Cansada de tanta intensidade que me fere
Dia após dia.

Todas sempre se vão.
Que assim seja então.
Em meu vazio, plena sou.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Feeling Good

Você é o oceano de água cristalina e verde no qual eu quero mergulhar
Teu sorriso me chama e eu prontamente atendo
Quantos segredos cabem na nossa madrugada?
Nossos gemidos abafados encurralam o desejo que transborda e corrói
Quantas vezes poderei eu mergulhar em teu oceano sem me afogar?
Meu corpo ferve ao toque teu
Sinto meu sexo pulsar
Dois corpos tão entregues, duas almas livres
A maré dos teus lábios me sugam, mordem e provocam
Os fios loiros, tão firmes em minha mão,
Deixam o pescoço exposto, convidativo
Minha língua o percorre,
Você estremece, arranha, excita
Teu corpo tão encaixado ao meu revela a vontade de ambos de serem um só
E a música ao longe, que embala teus movimentos, traduz as batidas do meu coração:

It’s a new dawn
It’s a new day
It’s a new life
For me
And I’m feeling good





quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Hoje eu me dei conta de que ser LGBT significa encontrar morada dentro de si mesmo. 
Você acaba sendo sua própria casa, seu próprio abrigo. 
Fora dele, existe um mundo que ainda insiste em te demonizar, maltratar, matar e até mesmo te enquadrar na classificação de doente só por você ser quem é. 
Mas vez ou outra, a casa da gente recebe visita de quem também só encontrou morada dentro de si. Então, a gente se olha e, com apenas um olhar, sabe que aquela pessoa também entende a dor e a alegria de ser quem é. 
Que mais pessoas possam encontrar dentro de si seu próprio lar e ter a certeza de que, independente do mundo que as rodeia, do ódio e até mesmo da solidão, a paz no coração sempre prevalecerá.

sábado, 16 de setembro de 2017

Manifesto

Meus olhos refletidos no espelho revelam a imensidão que tanto apaixona e assusta
O castanho evidencia o cansaço e as marcas dos envolvimentos passados
“Estou cansada de pessoas tão rasas e frias.”
Suspiro
O coração pulsa e pronuncia:
Na minha profundidade vocês não mergulham mais
E a minha intensidade, que tanto aquece quanto queima, não será mais podada
A minha essência não nasceu pra ser roubada
E nem minha alma apedrejada.
Esse é o meu manifesto
Que se afoguem em seus 10 cm de água rasa e gélida
Pra entrar aqui novamente, tem que ser brasa
Tem que ser fogo e plenitude,
Imensidão e magnitute
E, se acaso ousar adentrar, lembre-se:
Eu sou oceano de fogo.




sábado, 9 de setembro de 2017

A porta está fechada

A porta está fechada.
Você bate, grita, chama
Mas o silêncio é sua resposta
O cinza predomina
Não há cores
Não há vozes
Não há nada
A muralha recentemente erguida faz jus ao sentimento
Cansaço
Você procura por brechas
Indícios de uma esperança já morta
Mas a porta está fechada
E não há ninguém para abrí-la.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

My first song - Traitor

Traitor, you’re a fucking traitor
I think in everything you said
I hate the day we’ve meet

Traitor, how could you, traitor?
And everytime I close my eyes
I feel the pain that keep inside

Traitor, you’re just a traitor
And I remember all the lies
That you repeat looking in my eyes

Traitor, you’ll be sorry, traitor

And then I’ll keep my head
Away from the past

And I’ll burn it up
All the things you think you should

And when you search for me
You just will see
A shadow empty

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Aonde foi parar o meu juízo?

Aonde foi parar o meu juízo?
São 2h30 da manhã
 Minha insônia é minha companhia
Ela tem nome, sobrenome e o sorriso mais lindo que já vi
Fecho os olhos
E me pergunto como é possível se apaixonar todo dia pela mesma pessoa
Meu corpo vai de encontro ao teu
O abraço que tanto amo me envolve
Os nossos lábios se tocam,
A língua acaricia, degusta, provoca
Sinto seu arfar
Meu corpo estremece de desejo
Arrepia, implora por mais de ti
As mãos exploram a pele macia
Os dedos se entrelaçam em seus fios negros
Agarram, puxam
Você segura um gemido
E isso me mata de vontade de você
Eu quero mais
Eu quero tudo
Teu corpo reage ao meu toque, excita
Sinto meu sexo pulsar
Minha língua te devora,
Centímetro por centímetro
Seus seios se encaixam em minhas mãos
Os mamilos denunciam seu prazer,
Sua vontade de me sentir dentro de ti
Vou provando do teu corpo
Traçando o caminho que te enlouquece
Caminho este que leva ao teu sexo
Quente
Molhado
Pulsando
Tuas pernas me convidam a provar,
A degustar desse teu gosto que me embriaga de tesão
Te devoro,
Chupo,
Até sentir seu gozo escorrer pelo meu queixo
Vejo sua expressão de desejo
Quero você pra mim
De quatro
Agora
Dou meu sorriso mais safado
Aquele que você adora
Você se posiciona
Empina
Eu encaixo
Nós entramos na nossa dança ritmada
No nosso ápice de prazer
Ao som dos tapas
Dos gemidos
Você pede por mais
Eu prontamente atendo
Sinto você escorrer
Me sinto derramar
Tesão, desejo, paixão
Tudo se encontra, mistura
Faz jus a intensidade de duas arianas
Que se renderam
E, nesse momento, são apenas um
Ao fim, ambas em êxtase
Deitadas lado a lado
Os sorrisos
Os beijos
As carícias
Preenchem o espaço tempo
Nada mais importa
Esse é o nosso mundo
Nosso refúgio
Porto seguro
Olho no fundo dos teus olhos
E neles vejo refletido o mesmo sentimento
A mesma sensação que preenche meus dias:
A de pertencer a você
E mais ninguém.







quarta-feira, 12 de abril de 2017

Só por hoje

Chove lá fora. O barulho me hipnotiza, me chama e quando dou por mim, estou em meio a tempestade. O vento é gélido, cortante. Eu não me importo. Não me permito recuar. Existem coisas mais dolorosas do que isso, penso.
Meus olhos estão fechados, meus cachos, ensopados e minha cabeça, inclinada em direção ao céu. Eu inalo o ar frio implorando pra que ele entre e congele meu peito que arde desde a noite anterior.
Minha alma tão cansada evoca dos meus pulmões palavras sombrias, um desejo desesperado: só por hoje. Abro meus olhos e sinto as lágrimas quentes se misturarem com a água que cai sobre mim. Elas escorrem pelo meu rosto e peço que levem consigo as lembranças do sonho que me preencheu a noite.
Só por hoje, repito. Se há realmente uma força maior que rege esse universo, por favor. Me ouça.
Só por hoje, eu não quero pensar.
Só por hoje, eu não quero lembrar.
Só por hoje, eu não quero olhar para o meu celular na esperança de vê-lo tocar.
Só por hoje, eu não quero sentir a conexão que eu tento há tanto tempo matar.
Só por hoje, me leve daqui.
Suas palavras voltam à minha mente e eu sinto meu corpo arder. Minha pele queima em si a raiva de fatos passados que nunca morrem e que insistem em me assombrar.
Por favor, só por hoje leva de mim o que restou. Faz desse meu caos, que é teu tormento, dissipar. Só por hoje, não quero ser fogo. Quero ser ar.
Os filhos do fogo caminham só pois queimam tudo ao redor, me disseram. Hoje, mais do que nunca, eu sei a veracidade e o peso dessas palavras. Quem é fogo tem o dom de aquecer e iluminar ao longe. Sua maldição é a de não poder ser tocado. Fogo só é seguro quando vira brasa e, por fim, cinzas.
A chuva parou. O dia ao seu fim está para chegar e amanhã, quando o sol raiar, eu novamente vou dizer:

Só por hoje.

Janeiro

"Teria paz se não tivesse sangue
Se o coração não conseguisse trabalhar
Esqueceria tudo do começo
E viveria toda a vida sem pensar

Não tomaria tantos comprimidos
Apagaria o que me dessem pra fumar
Talvez tudo fizesse algum sentido
Talvez o que é sentido possa se apagar
Apaga do teu coração
As marcas de um tempo atrás
E saiba que eu não sei viver
Com o estrago que o tempo faz"

- Esteban

terça-feira, 11 de abril de 2017

Não dito

"Sempre troquei palavras pelo silêncio, covarde e comodamente acreditando que o não dito teria sua voz calada pelo tempo. Abafada pelo tic-tac dos ponteiros. Que seria encoberta por cada novo nascer de sol.
Seria lógico. Perfeito. Só não caberia nessa vida tão sem jeito.
O que não foi dito continua pensado. Por isso permanece. Com voz baixa. Fraca. Um quase sussurro, um quase lamento. Um quase tormento. Ainda aqui dentro.
Ecoando pelo peito. Reverberando na cabeça. Escorrendo em palavras pelo canto da boca. O não dito, hoje, faz-se ensurdecedor discurso que teimo em tentar esquecer."

- Não coube no caderno

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Carta não enviada

Entre um gole e outro de café, me pego pensando no passado. Tantas coisas deixadas para trás e tantas ainda tão presentes em mim.
Vez em quando, cometo o deslize de pensar em você. Há meses me forcei a acabar com esse hábito. Doce ilusão.
Por onde você anda?
O que tem feito?
Está feliz?
Como foi seu dia?
Ainda pensa em mim ou eu sou aquele capítulo do livro que você jurou nunca mais ler?
Muitas perguntas, nenhuma resposta.
Entre as minhas tantas promessas não cumpridas, existe uma única que pretendo cumprir: te deixar pra trás. 
Mas por mais que eu tente com a maior determinação que há em mim, eu sempre volto à essas questões.
Sabe, eu gostaria de poder conversar com você livremente, como se fosse só mais uma das nossas antigas conversas bobas, tão cheias de risadas e sem nada de sentido. 
Sinto sua falta. E isso é algo que estou a meses relutando admitir pra mim mesma, já que jurei te deixar em paz de uma vez.
Mas eu ainda sinto aquela conexão que nunca compreendemos, sinto que não importa aonde esteja, eu sempre estarei perto de você. 
Em uma das minhas atitudes tolas, disse a você que me afastava por não me sentir confortável com tudo aquilo, mas o que eu nunca disse é que o meu maior medo sempre foi voltar a depositar meus desejos egoístas em você. Eu jamais me perdoaria de novo.
Você tem um coração maravilhoso, como eu já disse outras vezes e acredito que agora, mais do que nunca, você sabe disso.
Sabe, eu ainda olho para o céu e peço que, seja lá qual for a força maior que rege esse universo, cuide de você. Mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda sinto uma vontade absurda de te proteger de todo o mal. Por fim, o maior mal acabou que fui eu.
Eu queria poder te dizer que não importa quando, eu sempre estarei aqui pra você. Pra ouvir, conversar, qualquer coisa. Mas não posso.
Ao fim de tudo o que passamos, eu mudei muito e acredito que você também. Você ficaria surpresa em conhecer meu novo eu. Adoraria que conhecesse, um dia. Assim como adoraria te conhecer novamente. Mas isso é apenas a esperança de alguém que prefere jogar palavras ao vento em um blog não visualizado do que ter a coragem de dizer.
Eu passei a acreditar realmente que as coisas tem hora certa pra acontecer e sei que a hora não é essa. Talvez, ela nunca chegue.
Independe disso, eu queria que soubesse que sou muito grata por tudo que me ensinou e por tudo que deixou de me ensinar. Foram fundamentais para que me tornasse quem sou.

Espero que esteja bem, Pequena.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Isabel

Vamos fingir que é domingo, Isabel. Vamos fingir que a gente acabou bem, que tivemos de fato um fim. Vamos fingir que eu não volto, e fingir que você não me quer também. Vamos fingir serenidade, maturidade. Vamos fugir da realidade. E quem sabe, Isabel, assim eu possa me sentar outra vez sem o medo de que um pensamento desvairado seu me ocorra a mente e me faça cair na contra-mão. 

Vamos fingir que a dor não existe, Isabel. Ou você. Ou eu. E que seu nome é mudo e apenas o chá de camomila lhe pode escrever através das manchas que ficaram na nossa mesa da cozinha. Vamos fingir, por favor, pois estou cansado de fugir. Eu desisto desse contrato social de tentar ser forte e enfrentar, ou do próprio contra senso de correr. Não quero nada disso, não me encaixei. Você não se encaixou. Eu dei a mão pra esse mundo inteiro e me querem o dorso, o pescoço e tudo o que eu nunca imaginei oferecer.

Então vamos fingir que é domingo, que eu sentei na minha mesa, escrevi um texto sobre outra mulher, tomei um café forte e passei o dia bem. Vamos fingir que seu corpo nunca tocou o meu, que sua mão nunca entrelaçou a minha. Vamos fingir, pelo amor de quem for. O problema não é não dormir. Eu tenho sim dormido a noite. O problema é estar o resto do dia acordado e ter tudo o que vivemos sendo lembrado, traço por traço, desenhado na frente dos meus olhos acordados, toda vez que alguém sem querer me lembra de você. 

Isabel, vamos fingir que o seu cigarro apagou junto com o nosso nunca-amor (quase-amor?). Vamos fingir que você não fuma mais, e que eu não procuro em toda a fumaça de bar o seu batom escuro. 

Isabel, hoje é domingo.

(João Doederlein)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quantas vidas você tem?

"Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois

Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais

Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer

Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga: quantas vidas você tem?"

- Paulinho Moska