terça-feira, 11 de abril de 2017

Não dito

"Sempre troquei palavras pelo silêncio, covarde e comodamente acreditando que o não dito teria sua voz calada pelo tempo. Abafada pelo tic-tac dos ponteiros. Que seria encoberta por cada novo nascer de sol.
Seria lógico. Perfeito. Só não caberia nessa vida tão sem jeito.
O que não foi dito continua pensado. Por isso permanece. Com voz baixa. Fraca. Um quase sussurro, um quase lamento. Um quase tormento. Ainda aqui dentro.
Ecoando pelo peito. Reverberando na cabeça. Escorrendo em palavras pelo canto da boca. O não dito, hoje, faz-se ensurdecedor discurso que teimo em tentar esquecer."

- Não coube no caderno

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