terça-feira, 27 de março de 2018

Ano da colheita

Eu vivo pra sentir saudade, rio comigo mesma
Porque o riso mascara a dor que me acompanha.
É ela que conversa comigo quando olho pra uma paisagem linda do Sul do país e penso em como seria tomar café com você nesse cenário,
É ela que me abraça enquanto olho a cachoeira e penso em como seria te beijar ali, como seria se o tempo parasse no nosso mundo somente pra apreciar esse momento,
É ela que ri comigo e me acompanha tomando aquela cerveja naquele bar que tenho certeza que você amaria.
Eu comprei vinho hoje.
Um vinho que tenho certeza que adoraria abrir quando você fosse me visitar.
Eu compraria queijos e seria uma noite linda, com uma conversa que só a gente sabe ter e que resultaria em mais uma noite de sexo que só nós sabemos sentir e descrever.
E aí a dor me soca a cara e me lembra que esse é o ano da colheita.
Eu não plantei coisas boas na nossa história.
Eu te fiz sofrer incontáveis vezes e de diferentes formas
E hoje, quando o que eu mais quero é sentir toques e beijos de uma sexta-feira já vivida, isso me destrói o peito.
Eu me pergunto quantas e de quantas formas um coração pode se partir e percebo que tenho um pouco de noção.
"É o ano da colheita", repito incontáveis vezes.
A água quente lava meu corpo, acompanhando o sentimento que escorre pelo rosto.
É melhor eu me acostumar com a colheita.

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