"Você quer que eu vá embora?"
"Sim"
Eu já sabia a resposta antes mesmo de perguntar.
Já sabia que você me mandaria ir antes mesmo de subir naquele avião em Porto Alegre,
E eu tinha a certeza disso no momento em que você me mandou mensagem dizendo que estava indo pra Santos.
A história está se repetindo, Pequena e eu já estive no seu lugar. Suas palavras frias não me surpreendem, pois estas mesmas já saíram da minha boca anos atrás.
Eu respiro fundo, respondo um simples "Ok" e começo a arrumar as malas.
As da minha mudança de Estado e da mudança da sua vida.
Quantas e tantas vezes já fiz esse processo...
Já perdi as contas. Não vale a pena contabilizar.
Eu conheço esse caminho e sei o quão doloroso ele será pra você.
Você aceitou a condição de pássaro engaiolado e voltou pra sua prisão alimentada pela culpa.
Você se aprisiona em pensamentos destrutivos como penitência pela sua condição natural de liberdade, como se ela fosse seu maior erro no momento.
E eu só tenho a lamentar por isso. Me dói profundamente ver tudo isso e não poder fazer nada, ter que ir embora.
Eu vivi muito tempo trancada em uma jaula alimentada por medo, abusos e culpas. Sei o quão cansativo é, o quanto nossas prisões nos sugam. Mas acima de tudo, sei que apenas nós mesmas somos capazes de nos livrar delas.
Você é muito forte, Pequena.
Não deixe que pássaros acomodados e conformados te convençam de que a segurança de uma gaiola é melhor do que a liberdade.
Se algum dia você quiser voltar, já sabe o caminho.
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